Botucatu, interior de São Paulo, tem polo de fabricação de bioembalagens


Extra Information

Por Letícia Fernandes

 

Algo revolucionário vem acontecendo em Botucatu, interior de São Paulo, há alguns anos. No campus da UNESP (Universidade Estadual Paulista), existe o Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat), onde uma tecnologia envolvendo fécula de mandioca foi desenvolvida há mais de 10 anos.

O objetivo da pesquisa era utilizar a mandioca como solução para substituir o isopor em embalagens para alimentos, cosméticos e eletroeletrônicos. Para isso, desenvolveram uma injetora que foi criada especialmente para atender as necessidades da empresa de bioembalagens e foi sendo aperfeiçoada até se tornar uma injetora em escala industrial. 

Os estudos começaram com Marney Cereda, então diretora da Cerat, que se dedicava a estudos de uso da mandioca como filme para impermeabilizar frutas. Ela buscou apoio tecnológico e parceria com especialistas em compósitos e modelagem, a fim de desenvolver e aplicar sua descoberta no mercado.

Assim, a partir da incubadora da UNESP, forma-se uma empresa de bioembalagens. Formada por 5 sócios e com foco em P&D, a OKA Bioembalagens iniciou, oficialmente, suas atividades em 2016. Desde então, a empresa mescla suas atividades com vendas para feiras e eventos e alguns clientes específicos.

O desafio para as bioembalagens é concorrer com o preço das embalagens de plástico ou papelão. Mas as bioembalagens da OKA vêm de matéria prima barata e um processo simples, e, no futuro, estarão concorrendo lado a lado com as embalagens de isopor, por exemplo.

As embalagens da OKA são feitas com um gel, feito a partir de fécula de mandioca e água, ao qual é incorporado bagaço. O subproduto da fecularia reduz os custos, dá mais resistência à embalagem e uma aparência “mais ecológica”. Segundo os sócios, as embalagens podem ser descartadas na natureza e virar adubo, podendo ser consumidas por animais e até pessoas.

“É 100% biodegradável e biocompatível. Pode cair em qualquer bioma que ela é limpa. Não demora como um plástico. Se dissolve por si só. Nossa embalagem é para consumo imediato. Você serve o alimento e pode consumir a embalagem. Opção para eventos. A pazinha, por exemplo, é usada para consumir um alimento e no fim pode ser degustada. Ela pode ser aromatizada com baunilha, canela ou com orégano. Pode aromatizar com salgado ou doce, depende da utilização dela”, ressalta a design da empresa, Érika Cezarine Cardoso, ao DCI.

A OKA busca a licença da Cetesb e patente internacional para a injeção de mandioca, pensando no mercado externo. Buscam também, parceiros tecnológicos que os ajudem a desenvolver novas máquinas mais eficientes – de olho na produção em larga escala.

Conhece os produtos da OKA? Tem sugestões de parceria para a produção de bioembalagens? Deixe seu comentário!

 

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