Conheça inovações que surgiram em pesquisas na Universidade Federal de Santa Catarina


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Por Letícia Fernandes

 

Quando falamos em inovação e tecnologia, provavelmente a primeira cena que vem à nossa cabeça é a de grandes empresários ou “tech nerds” do Vale do Silício. Ainda que possamos encontrar bastante os esteriótipos citados dentro deste nicho, devemos lembrar de algumas outras bases que fazem o negócio funcionar tão bem.

As universidades, por exemplo, são grandes berços de inovações e invenções tecnológicas. Afinal de contas, os “tech nerds” e os empresários precisaram estudar também para que as ideias surgissem. Aqui no Brasil não é diferente.

Muitas universidades investem em pesquisas e os resultados, ainda que nem todos saibam, pode ser notado diariamente em nossas rotinas. Quando uma pesquisa se transforma em realidade prática e ganha investimentos sobre ela, o mundo só tem a ganhar.

A Universidade Federal de Santa Catarina, por exemplo, é um dos berços de grandes e importantes pesquisas. Segundo o NSC Total, a área de farmacologia da universidade é tida como uma das fontes dos maiores avanços científicos que já tivemos.

Foi no laboratório de farmacologia da UFSC que o professor João Batista Calixto e outros cientistas brasileiros começaram um projeto que durou 10 anos e resultou no primeiro remédio 100% brasileiro. Cerca de 10 plantas da biodiversidade brasileira foram mapeadas para estudos de remédios, até que a eleita, a erva baleeira, foi escolhida como base para o primeiro anti-inflamatório feito a base de plantas brasileiras.

Esse projeto que começou em 1999 e durou 10 anos, teve mais de 800 pacientes testados, em vários lugares do brasil, e em 2005 foi posto no mercado, sendo sucesso absoluto. Ainda segundo o NSC, desde que foi lançado, até hoje ele é o primeiro colocado em vendas em receituários na categoria para dor e inflamação em medicamento tópico.

A empresa gastou em todo o projeto, na época, cerca de US$ 7,5 milhões (R$ 30 milhões atualmente). Em dois anos e meio esse medicamento pagou todo esse investimento e isso colocou a UFSC no mapa das pesquisas científicas reconhecidas.

Outro projeto que nos deixa muito feliz, ainda mais porque envolve alimentos e saúde, é o sorvete criado para combater sintomas da quimioterapia. Desenvolvido por pesquisadoras da UFSC e testado no Hospital Universitário com pacientes da oncologia, o sorvete tem características de complemento alimentar e anestesiante sensorial, e foi feito pensando na aceitação dos pacientes que sofrem com os efeitos colaterais da quimioterapia, como enjoo e falta de apetite.

A fórmula do sorvete contém açúcar orgânico, polidextrose (uma fibra solúvel), azeite de oliva sem sabor e whey protein isolado, no lugar da proteína do creme de leite e da gordura vegetal hidrogenada. Além de saudável e agradável para o paladar afetado dos pacientes, ele também humaniza o tratamento.

Ainda segundo informações do NSC Total, a pesquisa surgiu no programa de Pós-Graduação de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde do HU da UFSC, com envolvimento das pesquisadoras Francilene Kunradi Vieira, Paloma Mannes, Aline Valmorbida e Raquel Kuerten de Salles.

Atualmente o sorvete é encontrado apenas em Santa Catarina, especificamente em Florianópolis, onde é fabricado pela empresa Ypy Sorvetes. O produto visa alcançar pacientes que estão fazendo o tratamento em casa, mas há um processo em andamento para que o alimento seja oferecido também em hospitais conveniados.

E falando em alimentos, você sabia que Santa Catarina detém 98% da produção nacional de ostras? É no Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC  que encontramos as chamadas sementes das ostras, responsáveis pelo cultivo na região, visto que na coleta natural dessas sementes no mar não há volume suficiente para a demanda comercial.

Segundo a UFSC, somente na safra de 2016-2017 foram cerca de 217 vendas de sementes do laboratório, que oscilam entre 50 mil e um milhão de unidades. O laboratório atende toda a demanda local de cultivo e vende os excedentes, o que torna o espaço o principal no setor de moluscos no Brasil. E tudo começou com pesquisas em parceria da universidade com pescadores artesanais e a Epagri, que por quase três décadas avançaram e aumentaram a entrega mensal de sementes de ostras de 400 mil em 1997 para mais de 40 milhões em 2010.