Empresa desafia o impossível, e cria o primeiro lúpulo 100% brasileiro


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O Brasil é conhecido desde sempre por seu solo fértil, capaz de produzir praticamente tudo – e realmente desde sempre: a expressão “em se plantando tudo dá” deriva da carta de Pero Vaz Caminha, escrita em maio de 1500, que dizia que, sobre as terras desses país recém “descoberto”: “dar-se-à nela tudo”. Uma planta bastante importante para o Brasil, porém, contrariava essa máxima: o lúpulo, principal matéria-prima da cerveja, é um produto 100% importado pela produção nacional. Pois a empresa Rio Claro Biotecnologia veio para dar razão à Pero Vaz, e se tornar o primeiro produtor de um lúpulo 100% brasileiro.

Historicamente, especialistas diziam que era impossível produzir lúpulo não só no Brasil, mas em todo hemisfério sul do planeta, por conta de especificidades climáticas e de solo. Sendo o Brasil o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, essa impossibilidade exigia que a indústria nacional importasse praticamente todo seu lúpulo dos dois grandes produtores mundiais: EUA e Alemanha. O que chega ao Brasil, no entanto, costumam ser safras anteriores, impedindo, por exemplo, que o país produza certos tipos de cerveja que exigem o lúpulo fresco em sua composição.

Por ser um amante das cervejas artesanais, foi nesse hiato que Bruno Ramos decidiu tentar enfim produzir a planta no Brasil. Como, com o devido tratamento e conhecimento, todo e qualquer solo pode se tornar fértil, a Rio Claro Biotecnologias, depois de muita dedicação e pesquisa, enfim registrou, em 2015, a primeira variedade de lúpulo produzida por aqui, batizada de Canastra. O segundo tipo foi a Tupiniquim, e assim a empresa passou a conseguir produzir um lúpulo completamente adaptado ao clima local.

Os testes com o Canastra e o Tupiniquim foram realizados ao longo do ano de 2017 em todo o Brasil, com resultado verdadeiramente empolgantes: enquanto o quilo do lúpulo importado sai por R$ 450, o brasileiro pode sair por cerca de R$ 290. Além disso, a planta foi produzida praticamente em todo o país, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, e sempre com excelentes resultados – segundo Bruno, a produção foi comparada a nobres lúpulos europeus. “Tem lúpulo nascendo até em Brasília”, ele disse.

Atualmente a Rio Claro começou a licenciar o material e o conhecimento para produtores, para que eles plantem, cultivem, colham, e então a empresa revenda a produção para os fabricantes de cerveja, com o diferencial de qualidade, frescor e preço. Hoje é o próprio Bruno quem realiza o suporte e o trabalho prévio nas propriedades, como testes em laboratório, análise e preparação de solo e outras preparações para que o cultivo se dê de forma exitosa e na melhor qualidade possível.

Trata-se, portanto, de uma revolução em potencial para o imenso mercado cervejeiro no Brasil o que Bruno levou ao Shark Tank Brasil, a fim de alcançar o brinde que consolide uma parceria importante com os investidores do programa: conseguir um sócio que viabilize uma produção de lúpulo interna, realizada pela própria empresa, a fim de entrar no mercado já com o produto em mãos. E se na Rio Claro há inovação, um produto interessante de alta demanda e, com isso, lucro em potencial, Bruno de cara conseguiu o interesse de dois tubarões de peso: João Appolinário e Cris Arcangeli.

Depois de uma disputa de propostas, com os dois oferecendo suas próprias fazendas para essa primeira produção, foi João quem levou a melhor, e fechou com Bruno e a Rio Claro em 30% da empresa, incluindo sua propriedade no interior de São Paulo para essa primeira produção.

 

Via Redação Hypeness