Agrada meu filho, adoça minha boca

O dia do "coitadinho, mas nem um pedaço de chocolate?!" chegou! 12 de outubro, foi Dia da Criança.


Por Juliana Bechara Parente, do Bioma Food Hub.


Outubro chegou e com ele trazemos mais um início de conteúdo colaborativo entre Bioma Food Hub e Food Ventures. A bola da vez, como não poderia ser diferente, é a alimentação infantil e seus (des) encantos.

Quem nunca ouviu o ditado "agrada meu filho, adoça minha boca"?! E quem nunca teve seu filho agradado com um saco de bala, um pacote de bolacha ou uma barra de chocolate?! São hábitos culturais tão corriqueiros que muitos esquecem de questionar.

Afinal, falar de cultura brasileira e não falar de Brasil colonial - onde o açúcar se fez onipresente é praticamente impossível. Não entrando em aspectos históricos e antropológicos da alimentação, a sensação, hoje, é de que o açúcar e todas as "comidas porcarias" — como diz o pessoal do O Joio e o Trigo — passam a ser vilões da saúde apenas depois dos 18, talvez 20 e poucos, por vezes 30 anos de idade.

O problema é: a dificuldade de mudar a alimentação e o paladar de tantos e tantos anos se alimentando inadequadamente se torna tarefa quase inatingível. Soma-se à isso fatores externos como: stress, ansiedade, necessidade de pertencimento, acesso fácil à comida de baixa qualidade etc. — e pronto! Está formada uma sociedade de comportamento alimentar pouco embasado em reflexões críticas e muito propensa a desenvolver cada vez mais doenças crônicas em decorrência da má alimentação.

"O modo de alimentar as crianças é decisivo na formação do hábito alimentar, sobretudo as estratégias que os pais/cuidadores usam para estimular a alimentação" (Jornal do Pediatra, 2016). No mais, "o déficit de micronutrientes pode estar presente até mesmo em crianças com excesso de peso.

Este fenômeno é conhecido como “fome oculta”, já que aparentemente a criança se alimenta adequadamente, porém a alimentação é composta de alimentos pouco nutritivos", complementa o portal abc na cozinha.

Enquanto grande parte da população adulta sofre algum transtorno alimentar e se esforça para deixar doces, frituras, ultraprocessados, refrigerantes e sucos açúcarados de lado, ao correr para uma festa infantil é fácil se deparar com uma variedade de guloseimas que se fosse para escrever uma crônica talvez entraria na categoria comédia. Ou será que entraria na categoria drama?! "Ame ou odeie, estarei aqui até o final" seria o nome da peça. 

Ilustremos. Leia esse relato extraído do blog da plataforma de assuntos materno-infantis Baby Center: "AMO coxinha, pastel, pizza, brigadeiro, beijinho, marshmallow, bombom e jujubas. Mas confesso que, nas últimas semanas, estou com overdose disso tudo. O motivo é que tenho tido um monte de festas infantis e, ao que parece, essas coisas são as únicas opções que podem ser servidas, especialmente nos bufês. Cansei! E olha que não sou natureba e nem fico pregando que só cenoura salva nesta vida. Nem para mim e nem para o meu filho. Acho que, desde que não seja veneno ou ilegal, de tudo um pouco conta como experiência no quesito comidas que dão prazer (...) fica difícil, igualmente para adultos ou crianças, resistir aos salgadinhos fritos e doces que circulam nas bandejas e mesas".

Analisando a reflexão acima deveríamos começar por discorrer sobre o que é comida de verdade e o que pode ser considerado "veneno", mas deixemos essa polêmica para um outro momento. De maneira mais rápida pode-se ponderar sobre o quanto é difícil sair desse estado de inércia no que tange à alimentação infantil. Em pleno século XXI o esforço ainda é grande — e os dribles numa festa infantil são inúmeros.

Experimente chegar numa festa infantil com seu filho e desvincilhá-lo de todas as tentações ali propostas: batata frita, cachorro quente, bolinha de queijo, brigadeiro, bolo de chocolate. Além de ouvir uma quantidade razoável de "coitado é só uma criança", você também sairá exausto. E é então que indaga-se: porque não há uma ação conjunta da sociedade para de fato mudar a maneira como ofertamos comidas para as crianças?! Seja dentro, seja fora de casa, o paladar da criança pode ser acostumado. 

"Assim como todos os outros sentidos, o paladar leva um tempo para ser educado (...) na correria do dia a dia, muitas vezes oferecemos alimentos industrializados para nossos filhos, e estes podem conter mais açúcar e gordura. O importante é que o paladar da criança não fique acostumado apenas a esse tipo de sabor", menciona o pediatra antroposófico Dr Sergio Spalter em seu livro Cozinhando com o Pediatra. 

Todavia, as mudanças requerem um olhar muito além da festa infantil. Isso porque além de vivermos em tempos de relações online e consumo midíaco em excesso, “pesquisas revelam que, em média, um estudante de medicina tem apenas 15 horas/aula sobre alimentação e nutrição, dentre as cerca de dez mil horas/aula totais” - cita artigo do o Joio e o Trigo. Nesse contexto, reflita: se os profissionais da saúde ainda têm dificuldade de associar alimentação de qualidade à saúde, imagine um público tomado por telas, propagandas televisivas e influenciadores digitais. Estará esse público preparado para ser crítico da publicidade à que é exposto?!", questiona João Brito, professor de Propaganda e Publicidade da PUC-Camp.

“Ainda que a publicidade não tenha toda a responsabilidade, ela tem grande influência pela sua capacidade de persuadir a sociedade”, complementa o professor em artigo do jornal da própria universidade. Brito defende uma educação crítica sobre o papel da mídia desde cedo. Enquanto, aqui, podemos defender uma educação crítica sobre o papel da alimentação desde cedo, o que acha?!  

Defendendo um pensamento crítico acerca dessa questão, tanto pais quanto filhos se beneficiam. Na primeira infância é o tutor quem dita como e do que a criança se alimentará. E se ele não consegue fazer julgamentos adequados, mesmo sem intenção, ele estará influenciando não só a vida de seu filho mas contribuindo para problemas de saúde pública.

"É possível constatar  que  a  publicidade  e  propaganda  aplicada a alimentos geralmente  com  alta  densidade  calórica  e baixo  valor  nutritivo  influencia  os  hábitos  alimentares de   crianças   e   adolescentes   de   diferentes níveis socioeconômicos" (Segurança Alimentar e Nutricional, Unicamp, 2013).

Vive-se uma nova era alimentar. Fala-se da regeneração do planeta a partir de uma nova ótica de consumo; novas marcas nascem com propósitos claros. Mas seguimos inertes quanto à formação do paladar infantil. Os apelos de mercado também seguem firmes para conquistar a atenção dos pequenos consumidores. Mas será que não podemos repensar nosso presente de dia das crianças para esses futuros tomadores de decisão, empreendedores e formadores de opinião?

Será impossível educar os jovens de hoje para que os adultos do amanhã sofram menos com os prejuízos de uma alimentação desbalanceada desde a infância?

Escolas são ótimos portais para uma boa educação alimentar: cozinhas experimentais que levam as crianças para frente do preparo de suas refeições bem como projetos que implementam não só dietas mais saudáveis, mas também levam consciência ambiental para um grande número de pessoas, se mostram eficientes na hora de educar crianças, adolescentes e então levar a mensagem para seus pais e responsáveis. 

Temos exemplos vindos de outros países. Nos Estados Unidos por exemplo, num esforço de melhor alimentar suas crianças e também promover a consciência dos impactos da alimentação além do bem-estar individual, escolas públicas de Nova York implementaram a segunda carne e promoveram um movimento para incluir mais vegetais e reduzir o consumo de carnes e açúcares nas dietas dos alunos.

Iniciativas similares já foram aprovadas aqui no Brasil e são ótimas ferramentas para elucidar a população de que um bom prato de comida se faz com o simples e com o que é encontrado em abundância na natureza: arroz, feijão, legumes, frutas, verduras. 

Tudo o que precisamos é de uma pitada de criatividade e educação alimentar.

Agora, como será que a indústria vem contribuindo — ou não — para que questões de tamanha importância avancem na agenda pública nacional? Saberemos a partir das reflexões da próxima semana por aqui. 




Fica de olho!


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