Basi.Co e Grupo Planta se unem de olho no crescente mercado à base de plantas no Brasil

Castanha de caju, gordura de palma não oriunda de desmatamento, leite de macadâmia, amêndoas e cúrcuma compõem a lista de ingredientes da linha de laticínios 100% à base de plantas da food tech BasiCo Plant Food, que tem opções de queijos, carnes e até ovo frito plant-based.

A startup surgiu em 2018, teve um crescimento de 100% em 2020 em relação a 2019, e agora projeta crescer 120% neste ano. Apesar das incertezas diante da pandemia, apostou no aumento da procura dos consumidores por alimentos mais saudáveis e de menor impacto ambiental.

“A gente encara o mercado vegano como sendo um grande potencial de solução. Acho que, até por conta dos efeitos e fatores causais dessa pandemia, esse momento trouxe à tona uma necessidade de reduzir o consumo exacerbado de alimentos de origem animal. Isso trouxe uma certa consciência para o consumidor, que tem buscado se alimentar de produtos que causam menos impacto ao meio ambiente”, afirma o nutricionista e fundador da BasiCo Plant, Marcelo Ribeiro.

Também apostando no potencial do mercado de alimentação saudável e sustentável, o Grupo Planta, formado por negócios de produção, distribuição, restaurantes e delivery de alimentos plant-based, passou a investir na BasiCo.

No portfólio do Grupo Planta, entram o “cajupiry”, cream cheese e requeijão, feitos com castanhas de caju, e a manteiga, preparada a partir da combinação de gordura de palma, leite de macadâmia e amêndoas, sal marinho e cúrcuma e livre de conservantes, aromas e corantes.

“Aposto que o Brasil será o protagonista do mercado vegetal global”, afirma o fundador e CEO do Grupo Planta, Fábio Zukerman.

Segundo ele, com a reinvenção dos sistemas de produção de alimentos e o anúncio de grandes marcas aderindo ao mercado plant-based, a tendência é que o consumidor opte cada vez mais por produtos de origem vegetal.

Apesar do sucesso e crescimento, sabemos que o mercado sofreu muitas oscilações de preço em 2020 e 2021, sobretudo de óleos e gorduras porque ficou mais atrativo exportar. Assim, os custos de produção dos queijos vegetais também aumentaram, pois além das matérias-primas importadas (cotadas em dólar caríssimo), as nacionais também triplicaram de preço.

O principal ingrediente nacional, a castanha de caju, por exemplo, subiu o preço em 30%. A foodtech utiliza cerca de 10 toneladas do produto por ano. O maior desafio do mercado, segundo os responsáveis das empresas, é nacionalizar cada vez mais a matéria-prima dos produtos vegetais para reduzir os preços, priorizando ingredientes de plantas mais adaptadas às condições brasileiras.

“O mercado começou muito análogos a carne, com proteína de ervilha, mas o Brasil não tem clima para produzir ervilha. Temos a preocupação de trabalhar com não transgênicos, trabalhar em torno do feijão”, salienta Ribeiro.

O CEO do Grupo Planta diz que a empresa trabalha para fomentar a importância de subsídios de alimentos vegetais junto ao governo, compondo grupos de trabalhos que ajudam nesse sentido e no crescimento da nova geração que busca por rastreabilidade.

Podemos esperar para o futuro o lançamento de parmesão vegano para ralar e do queijo cheddar. Além disso, o Grupo Planta, que tem entre suas marcas a Gerônimo, também deve lançar novas carnes como a fraldinha (híbrido de proteína de ervilha e soja) e o ovo frito, que compõe o hambúrguer x-egg bacon vegano da marca.


Fonte: Revista Globo Rural