Marcas próprias ameaçam gigantes da indústria

Segundo a Goldman Sachs, reproduzida pelo Brazil Journal, a situação das gigantes de alimentos processados está ruim - e vai piorar.

Isso porque, além da mudança de costume do consumidor que agora busca produtos mais saudáveis e naturais, as marcas próprias - private label - estão ganhando cada vez mais espaço.

As marcas próprias são criadas por varejistas para competir com as grandes marcas, mudando drasticamente a relação de forças entre varejo e indústria.

A Goldman Sachs redigiu um relatório de 78 páginas chamado "Brand Disruption's Next Phase", onde relata que os maiores afetados com a nova tendência são as empresas de CPG (consumer packaged goods), como Kraft Heinz, Campbell Soup e Tyson Foods.

Ainda segundo o relatório, a ascensão das marcas própria começou com o boom das marcas pequenas independentes, o que não ganhou força. E agora são as marcas próprias do varejo que ganham tração.

Essas marcas têm a vantagem de serem apoiadas por varejistas com estratégias definidas, uma quantidade enorme de dados e acesso direto aos consumidores. Segundo a Goldman, em 2020 as marcas próprias roubaram 4 bilhões de dólares das grandes marcas e hoje movimentam 137 bilhões de dólares por ano nos Estados Unidos.

E por que o sucesso? Um fator são os millennials, jovens consumidores que valorizam personalização e inovação, escolhendo marcas que investem em orgânicos e naturais, por exemplo. Outro fator são os investimentos feitos pelos próprio varejistas, que procuram fidelizar o cliente e gerar tráfego nas lojas.

A dinâmica macroeconômica também tem sua contribuição no sucesso do private label, visto que, historicamente, ele performa melhor em momentos de crise por ser mais barato. Agora, como a qualidade dos produtos de marcas próprias melhorou, espera-se que essa migração seja mais permanente.

Por aqui já vimos como o Grupo Pão de Açúcar, Target e Amazon estão seguindo essa tendência. O que acham?