Orgânicos, para que te quero?

Atualizado: Jan 12

Em nossas retrospectivas no fim do ano passado vimos que a pandemia foi a grande causadora na mudança de alguns hábitos alimentares. No Brasil, por exemplo, de acordo com dados da Mintel, 51% das pessoas têm priorizado uma alimentação saudável, incluindo os orgânicos.

Para o Natal 2020, a Seara divulgou seu Fiesta Orgânico, ave "orgânica" com certificados de criação livre de gaiolas, ração orgânica e até um QR Code que permite ao consumidor rastrear toda sua trajetória, do campo até a mesa.

Em 2021 fomos agraciados com o lançamento do Spaguetti Orgânico Renata, feito com trigo 100¨% orgânico.

O que podemos notar é que, apesar da crise econômica que se agravou para alguns setores durante a pandemia, o setor de alimentos orgânicos no Brasil fez o movimento contrário e só cresceu. Segundo dados da Organis (Associação da Produção de Orgânicos), a venda desses alimentos mais que duplicou no primeiro semestre de 2020, e uma das razões desse aumento pode ter sido as compras online.

A plataforma Raízs, por exemplo, tem controlado 30% do mercado de vendas online de orgânicos, reunindo cerca de 2000 produtos, todos frescos e sem agrotóxicos.

Vale ressaltar, no entanto, que o aumento do consumo de alimentos orgânicos ainda pode ser considerado como parte de um privilégio. Enquanto uma parcela da população pôde trabalhar de maneira remota e dedicar esse tempo em casa para investir numa alimentação mais saudável e balanceada, outra parcela da população, que dependia de auxílios ou até mesmo de merenda, sofreu (e sofre) com a escassez de recursos e a alta no preço de alimentos fundamentais à cesta básica brasileira, como o arroz e o feijão.

“A eventual redução na renda familiar ocasionada pela pandemia pode ter limitado a compra de alimentos frescos de maior preço, como frutas, carnes e peixes, favorecendo a aquisição de ultraprocessados de menor preço, como pães, biscoitos, salgadinhos e carnes processadas. A intensificação da publicidade de alimentos ultraprocessados durante a pandemia, incluindo a distribuição gratuita desses produtos, também pode ter impactado os estratos socialmente mais vulneráveis”, explica Eurídice Martínez Steele, bióloga e integrante da equipe de pesquisadores do Estudo NutriNet Brasil.

Como podemos democratizar o consumo de alimentos saudáveis no Brasil?


Fonte: Consumidor Moderno


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