Panela: a plataforma de inovação aberta da Nestlé

Nesta semana a Nestlé Brasil anunciou o lançamento de sua nova plataforma de inovação aberta e inovação: Panela. Contando inicialmente com a parceria da Innoscience, Distrito, Aevo, Techstart Food Innovation, Nexus, Endeavor e All 4 Food, a iniciativa se propõe a conectar colaboradores, startups, universidades e parceiros empresariais de todo o ecossistema de inovação do Brasil.


Veja o vídeo dos parceiros do projeto aqui - participação do fundador da Food Ventures, Augusto Terra.

Claro que não é de hoje que a Nestlé trabalha com startups e inovação. Em 2014 foi criada uma área dedicada à inovação – com recursos, métricas e metodologias próprias-, mas percebeu-se que que o trabalho de inovação não poderia mais ficar restrito a produtos.

Em 2018, então, foi criado o setor de transformação digital da empresa, para que fosse possível conhecer mais profundamente o cliente e oferecer experiências e serviços.

Nos últimos três anos, a Nestlé analisou mais de 1400 startups para o projeto, realizando cerca de 100 testes pilotos e fechando parcerias com 43 startups - que agora estão com pilotos e aceleração em andamento. Para marcar o lançamento da plataforma, Panela lançará dez desafios de negócios para as startups e as que forem selecionadas irão trabalhar junto com a Nestlé no desenvolvimento de um piloto ou prova de conceito remunerados com aplicação em ambiente comercial para verificação da aderência das soluções no mercado.

Os programas do Panela atendem às demandas de diversas áreas: marketing, trade, supply chain, vendas, jurídico, com destaque para inovação, transformação digital e sustentabilidade. Três projetos de aceleração, por exemplo, estão com healthtechs. Outros são de backoffice, como os dos setores de RH e finanças. A maioria, foodtechs.

Um dos primeiros projetos, depois da criação da área de transformação digital, foi o Vem de Bolo. Lançada no início de 2019, a primeira startup da Nestlé conecta confeiteiros independentes aos consumidores. Foi um ano de estudos desse mercado, o que incluiu até soluções na área de gestão financeira. "Todos os nossos projetos têm essa pegada – a de entender se todo mundo está gerando valor para todo mundo", sintetiza Juliana.

“O projeto nasce com dois desafios. O primeiro relacionado a startups e outros envolvendo universidades. Tem vários tipos, desde supply chain, até iniciativas que envolvem a relação com consumidor. Temos, por exemplo, um projeto em nutrição infantil que envolve até médico e pediatras”, explica Juliana Glezer, gerente de inovação e portfólio da Nestlé para o site Fast Company.

O conceito de inovação aberta foi formulado em 2003, por Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, na Califórnia. Ele propõe uma nova abordagem para a pesquisa e desenvolvimento dentro das companhias: a de compartilhamento de ideias e descobertas entre empresas. A criação de uma comunidade de inovação aberta na Nestlé veio justamente por perceber que a inovação não deveria ficar restrita a uma única área.

Um funcionário de supply saberá as necessidades e dores específicas do seu setor, portanto a inovação agora é vista como algo que deve estar espalhado pelos diversos setores da empresa. "Dessa forma, a gente consegue acelerar muito mais os projetos e endereçá-los de mais maneira mais assertiva", diz Juliana à Época.