Segundo o NY Times, as rações militares encontraram um nicho de fãs

As M.R.E.s, ou "Meals, Ready to Eat", como são conhecidas nos Estados Unidos, são rações criadas para serem usadas pelo exército. Elas não são chiques, não têm boa aparência e não são particularmente apetitosas. Elas também não podem ser comercializadas livremente, visto que são feitas sob um contrato com o Governo.

As rações são explicitamente feitas para membros de operações armadas que não têm acesso a restaurantes ou cozinhas. E são por essas e outras razões que a recente atração de não-militares por M.R.E.s tem intrigado a todos - desde veteranos de guerra aos cientistas e engenheiros que participam do estudo e desenvolvimento das rações.

As equipes passam anos aprimorando essas refeições até que sejam enviadas para produção, é necessário que sejam nutritivas, não perecíveis e que sobrevivam a quedas de helicópteros ou temperaturas atípicas. Stephen Moody, chef de cozinha na Combat Feeding Division diz que “a nutrição certa pode ser capaz de dar uma vantagem aos soldados, aumentando sua vigilância e capacidade de tomar decisões."

Desprezar as M.R.E.s é quase uma tradição nas forças armadas, onde as refeições recebem apelidos como “Meals, Rejected by Everyone” (refeições rejeitadas por todos, em tradução literal) ou“Meals, Rarely Edible” (refeições difíceis de engolir). Então o que explica o recente fenômeno e sucesso das rações?

Misture pandemia, internet e teorias da conspiração e você terá a sua resposta. A ideia de estocar alimentos e produtos de higiene como precaução em caso de uma pandemia ou desastres naturais é um grande fator - nos Estados Unidos muitas famílias têm bunkers, que são estruturas fortificadas construídas embaixo da terra e feitas para resistir a projéteis de guerra e outras situações de risco.

Além dos "survivalists" ou sobrevivencialistas, indivíduos que se preparam para possíveis por meio de treinamentos, armazenamento de água e comida, preparação para autodefesa e autossuficiência, além dos bunkers, temos também os gloriosos curiosos da internet. Em plataformas como Youtube e TikTok, pessoas testando as rações em frente às câmera têm surgido cada dia mais.

Um dos youtubers mais famosos desse gênero é Steven Thomas. Seu canal, Steve1989MREInfo, tem 1,8 milhões de assinantes. Neste vídeo, por exemplo, podemos vê-lo experimentando as rações militares brasileiras. Para Anastacia Marx de Salcedo, que escreveu o livro “Combat-Ready Kitchen: How the U. S. Military Shapes the Way You Eat", durante a pandemia esse tipo de comida tem sido importante para as pessoas, no sentido de ajudar a lidar com mundo caótico e imprevisível.

Apesar de ser uma tendência gastronômica estranha, as rações servem aos seus propósitos. São refeições completas, com cerca de 1200 calorias e uma variedade de vitaminas e minerais, tendo cada ingrediente sido estudado para uma função, como dar energia ou concentração. Parece familiar?

Além disso, muitos produtos com os quais já estamos acostumados no dia-a-dia surgiram como rações, como as barras de cereais e as embalagens pouch usadas em comidas de bebê. Cidadãos comuns podem pensam nas M.R.E.s em contextos não militares, como acampamento, trilhas e situações de emergência.

E, por fim, as rações militares geram inovação para o setor de alimentos como um todo. Além dos benefícios dos estudos em cima da nutrição e das refeições prontas-para-comer, Lauren Oleksyk, que lidera um time de engenharia e análise de alimentos, especula sobre o uso de sensores que detectam os nutrientes necessários para os soldados e uma impressora 3-D que forneça os alimentos apropriados a serem entregues por drones.

Aqui no Brasil temos empresas como a Intelligent Foods, que produz alimentos prontos para o consumo (com até 4 anos de validade atestado em laboratórios no Brasil e no exterior), que dispensam refrigeração pois utilizam tecnologia IF (reduzindo investimentos e despesas associadas ao transporte e armazenamento na cadeia fria), e são sem aditivos ou conservantes (mesmo sabor com mais praticidade e segurança).

Será que depois da liofilização e comidas de astronautas servirem de inspiração, veremos mais sobre as M.R.E.s?


Fonte: New York Times