'Superfrutas' da Mata Atlântica

E já que ontem falamos do buriti, uma superfood da região amazônica, que tal descobrirmos melhor sobre os poderes que a Mata Atlântica também esconde?

A Mata Atlântica é um bioma de floresta tropical que abrange a costa leste, sudeste e sul do Brasil, e que já sofreu uma vasta devastação. Mas a consciência sobre sua importância tem levado a reservas e parques que lutam por sua preservação.

Assim como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica possui uma rica biodiversidade - em plantas, animais e frutas. Algumas frutas têm sido apontadas como "superfrutas" por pesquisadores, e vamos entender o porquê.

Pesquisas feitas em parceria pela Unicamp e pela USP, determinaram que cinco espécies nativas do Brasil são ricas em antioxidantes e têm alta eficiência anti-inflamatória no organismo – comparável à de estrelas do mercado de alimentos saudáveis, como o açaí e as frutas vermelhas tradicionais (morango, mirtilo, amora e framboesa).

São elas: o araçá-piranga (E. leitonii), a cereja-do-rio-grande (E. involucrata), a grumixama (E. brasiliensis), o ubajaí (E. myrcianthes) e o bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis).



Análises feitas em folhas, sementes e frutos destas cinco espécies – que ocorrem em toda a Mata Atlântica, mas têm sido mais encontradas no Sudeste e no Sul – mostraram que elas podem ser consideradas “alimentos funcionais”, também conhecidos como superalimentos.

Mas para conseguir estudar essas frutas, os pesquisadores precisaram da ajuda de um “colecionadores de frutas” do interior de São Paulo, Helton Muniz, do Sítio Frutas Raras. A ajuda foi necessária pois, além de pouco conhecidas e consumidas, muitas dessas frutas estão ameaçadas de extinção.

Muniz, cujo trabalho já foi mostrado em reportagem da BBC Brasil, conta que a paixão por frutas exóticas se transformou em hobby, ganha-pão e até fisioterapia - ele nasceu com um distúrbio neuromotor que dificulta seus movimentos.

De acordo com os pesquisadores, a ação das frutas - se consumidas frequentemente - pode retardar os processos inflamatórios que causam doenças como diabetes, arteriosclerose e mal de Alzheimer.

A grumixama e a cereja-do-rio-grande, por exemplo, são frutas pequenas e vermelhas que se destacam em relação às demais nas propriedades antioxidantes que apresentam. São comparadas às 'berries' (frutas silvestres vermelhas em inglês), doces, mas com um teor de ácido ideal.

"Poucas das frutas que consumimos hoje são nativas do Brasil: abacaxi, maracujá, caju e goiaba. E a Mata Atlântica já está no limiar do seu equilíbrio ecológico. É urgente estudarmos as frutas deste e de outros biomas", diz Severino Matiasde Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo.

Agora, a equipe de cientistas quer expandir o cultivo das cinco frutas entre pequenos agricultores e, com mais ambição, para o agronegócio. Para isso,pretendem se dedicar ao melhoramento genético das espécies.


Fonte: BBC Brasil